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O doce sabor da manhã tardia, quase tarde, ainda dia. O nublado das nuvens, escondendo a promessa de um sol quente e reconfortante... Correr pela casa de pijama ao sentir o cheiro suave do café da manhã. A mãe de cócoras, como uma índia, herança familiar... O pai no fogão - um costume domingueiro. Cabelo bagunçado... Uma criança feia? Talvez, mas infinitamente Feliz. Dois dias sem tomar banho! Estava frio, oras... Ainda não haviam garotos pra paquerar, nem uma sociedade inteira pra agradar, apenas as bonecas, os desenhos animados, o microsoft word e uns três livros inacabados, uma criatividade compulsiva - um mundo próprio. O abraço gostoso do pai e da mãe, hora de ver filme... A colcha vermelha, todos os sonhos... Fazer duas faculdades simultaneamente, estudar na capital, fazer intercâmbio na Europa - mal sabia ela, que mal daria conta da adolescência normal no ensino médio - sonhos, aventuras, beijos... paz. Foi ontem e eu quase posso sentir o gosto do que passou. Em um segundo tudo muda, mudam as casas, os vizinhos, cada dia mais frios, cada dia mais distante. Cada dia menos diferente e mais comum, até se tornar comum demais e pegar o contorno... e voltar, não ao princípio, mas ao destino... Autêntica. Outra vida? Provável que não. Mas certamente já perdi as contas de quantas vezes a estrada de bifurcou e as escolhas que fiz me surpreenderam, quantas vezes o caminho mudou toda a trajetória e muito pouco do início ficou... Diria que apenas o essencial: A menina, moleca, e inevitavelmente o cabelo despenteado.
Ana Fonsêca

Quando você é criança e possui amigos, nunca saberá ao certo o valor que eles têm até se tornar um jovem. Quando se é jovem, nunca saberá ao certo o valor que os amigos têm, até ter uma família. Quando se tem uma família nunca saberá o valor que os amigos têm, se até você ter chegado a este ponto não tiver levado consigo ao menos alguns da sua infância, alguns que de alguma maneira estiveram contigo em todas as fases, não te permitindo esquecer que sempre estariam ali quando você precisasse ainda que na casa ao lado ou em outro Estado, alguns pra te dar coragem e um abraço quando necessário, alguns pra rir e te distanciar da rotina e do mundo frio e real, ou alguns cuja presença diária não é necessária pra que saibam o afeto que os une, alguns poucos e bons amigos... que depois de descoberto quão preciosos são, não bastará apenas tê-los na memória e no coração, certamente irá querer levá-los pela eternidade.
Ana Fonsêca