Ana.

Quem tem fraqueza sabe ser bem mais forte.



E essa vida nos dando voltas? Será que só eu penso que está tudo acontecendo no modo fast forward? Digo, até ontem ainda era uma menina e sua boneca, hoje uma mulher, tantas lembranças que não cabem na mala e tantos sonhos que a mente mal comporta. Nesse ínterim tanto aconteceu, mas só consigo lembrar do gosto de sentir tudo tão rápido, da areia escorregando entre os dedos; e me pego refletindo então sobre a vida e os dias, sobre o que fazer com ela. Se tudo passa tão rápido, se tão brevemente somos vida e logo após um sopro somos outra vez pó, o que fazer pra que ela Seja? Não sei, não descobri ainda a receita e temo não descobrí-la a tempo, sei apenas que o que posso fazer com ela é vivê-la, intensa e redobradamente, pra que os instantes sejam cada vez menos breves e transbordem de sentimento, para que a essência do momento seja perpetuada na memória e não um lapso breve de sorriso que se esvai de maneira pueril como tanto mais nestes dias. Acho que a resposta deve ser colocar o coração em tudo que faz, ao menos é a minha resposta à breviedade do presente, é a única maneira que encontrei de ter um pouco mais comigo, de deixar um pouco mais de mim no que amo e para quem amo... É o medo de não me comprometer seja com meus sonhos, com os sonhos dos outros ou nas coisas mais banais. É o medo de não me entregar, sabendo que tudo pode dar certo ou errado, mas boa parte de tudo depende de mim e da maneira que eu quiser olhar a vida, tudo por ser nada e nada pode ser tudo, o ângulo é determinante! Prefiro passar pela vida colhendo as flores e frutos do que como um tufão que apressado conhece muito mais dela do que talvez eu, na minha vã filosofia, mas que deixa tanto pra trás e sem perceber não contempla tanto mais. Prefiro ser assim, a voz da minha resistência, que não deixa de caminhar, ou até correr, mas colhendo sorrisos e fotografando momentos na memória, extraindo o melhor de tudo, chorando, sofrendo, amando, crendo... Guardando tudo comigo, tentando ser algo mais do meu modo alternativo, fazendo da vida menos breve e mais presente sem impedí-la de transcorrer no seu tempo já determinado. Sendo só eu mesma e minha tentativa e não temer, não me abater, não me curvar, e não deixar de viver intensamente, por ser tão rápido o giramundo, não deixar de deixar as coisas acontecerem, mesmo que não tenha tempo de abraçar tudo, fazer valer o que valeu, o amor, o bom dia, a utopia. É provável que não veja tudo no meu ritmo, é provável que não sinta de tudo, mas terei visto, amado e vivido com detalhes os caminhos por onde andei e eles terão me guiado pra onde irei, sempre, e determinarão que vida vivi, e o que como lembrança deixei. Não importa quantas voltas a vida me dê, seja balé ou samba, nós dançaremos, e descobrirei meu jeito de fazê-la se render pra que seja recíproca nossa relação, duas rendidas e submissas uma a outra pra que meu traçado faça sentido.



If I lay here,

If I just lay here,

Would you lay with me and just forget the world?



"Um beijo doce, um abraço, uma lágrima discreta - ou não tão discreta, uma conexão única, o sol ou a chuva à depender do seu humor no dia, a brisa sempre deliciosa, o sorriso, as mãos entrelaçadas, corações unidos, almas destinadas à amizade, ao amor, à realização dos sonhos, ou ao simples ato de sonhar. A vida é boa, mesmo quando não parece, porque o melhor da vida é a segunda chance de todo dia, a chance de fazer certo, a chance de tomar o fôlego pelas narinas e soltar o grito da alma, fazer tudo ou não fazer nada, mas sentir a batida. O coração, a música. A particularidade, o fato de ser única... E todos os mistérios se desfazem, e todas as histórias vividas são um episódio, ou a letra de uma canção, e só há você, o palco principal e o que você quer contar ou deixar contarem sobre seus dias..."


Vantagens em ficar de cama o dia inteiro.

Fora o fato de você poder simplesmente dormir sem pressa pra acordar e sem ter hora marcada pra comparecer a canto algum (porque você mal consegue se levantar de tanta dor), tenho um ponto de vista interessante sobre ficar de cama o dia inteiro, em repouso. E, bem, começa justamente por aí: 'em repouso', que é tudo que nesses dias velozes e furiosos a gente renuncia, deixa passar, como se simplesmente não precisássemos recarregar as baterias.

Preciso dizer que sou mesmo adepta daquele velho clichê 'se a vida te dá limões faça uma limonada'. Claro que não há nada de maravilhoso em estar doente, não mesmo, mas se a vida te faz parar por um dia inteiro, você deve obedecê-la e buscar entender o que ela tem a te oferecer. No meu caso, descanso. Descanso que não consigo ter porque tenho 21 anos e tenho tanta coisa na cabeça que às vezes mal consigo administrar. É bom quando Deus faz você se deparar com seu desejo interior de desacelerar, porque às vezes é isso mesmo que você precisa pra viver melhor. Não importa quanta urgência há na vida, se você está sempre correndo perde a poesia do dia, do sorriso, da leitura prazerosa, da convivência gostosa, a simplicidade das coisas pequenas e na prática se satisfaz tanto mais em colocar coisas na sua agenda do que em realmente executá-las. Pelo menos eu sou assim, fico imaginando como seria quando tivesse uma vida mais intensa, se não me permitisse aprender com momentos assim, pois há tanto que quero realizar, mas não sem deixar de verdadeiramente aproveitar meus dias como um todo, a cada segundo, sem pressa.

Dias na cama obrigam a gente a fazer uma faxina mental, interior, porque não há muito mais a se fazer. Obrigam a gente a tirar aquela crosta de poeira dos cantos da nossa mente que não gostamos de mexer e das coisas com as quais não conseguimos lidar... Dias na cama trazem à memória aquilo pelo qual não conseguimos chorar pelos mais variados motivos, trazem a solidão real e não desejada de ser a única pessoa, de fato, a não estar fazendo nada de 'útil' o dia inteiro, e de, portanto, precisar conviver consigo mesma, não por opção, não porque quer estar longe das pessoas, simplesmente porque precisa aprender a estar só mesmo quando não quer, pois estamos. Sós e acompanhados. Sempre. É o paradoxo da vida.

Ficar de cama obriga você a refletir, e começar a arrumar a bagunça da sua vida pela sua mente. É o que acontece quando acumulamos muita coisa, durante muito tempo, e guardamos todo tipo de tralha pelo simples fato de guardar, sem distinguir o que é útil de inútil, sem aproveitar os recursos, sem reter as coisas boas, apenas guarda, guarda e guarda. Overdose de instintos, overdose de pensamentos. E a proteção pra isso é não pensar em nada. É não lidar com nada. É bem a situação em que meu quarto se encontra no meu momento, bem como minha mente, e talvez até meu coração. Por isso, no fim das contas, não posso reclamar muito de dias assim, tirando a dor física, e o exercício mental excessivo, em algum momento você precisa colocar as coisas em ordem não é? Se organizar, fazer uma limpeza, e acordar melhor no dia seguinte, sem tanta dor e talvez mais leve, mais livre, mais viva. O mérito de tudo isto então é da vida, da pausa, do descanso, portanto, sempre e tanto.


Há tanto da vida que eu queria compreender com propriedade, mas parece que não funcionaria se não houvesse essa vastidão em mistério. Primeiro eu gostaria de entender como podemos ser simultaneamente nossos melhores e piores inimigos... Como dá pra subestimar um pelo outro se estão sempre juntos, caminhando de mãos dadas, aguardando pra ver qual se manifestará diante de cada situação? É complexo saber que suas melhores armas estão guardadas com alguém que você não deveria confiar, ao tempo que é a única pessoa digna de sua integral confiança, pois é a única, mesmo com todos os defeitos possíveis e imagináveis, que você conhece no profundo. Difícil separar as coisas, manter a distância, analisar, ponderar... E eu admiro (tanto) quem consegue o equilíbrio ideal. Sei que essas pessoas não são sempre equilibradas, seria impossível equilibrar a natureza humana, mas elas são domadas, amestradas, por si próprias e deve ser muito mais fácil ser assim do que quando se é tão denso (e eu pareço só saber dizer isso...), intenso, e por tanto coração em tudo. Queria a dosagem certa do envolvimento, saber a hora certa de desistir e se realmente existe essa hora. Queria conhecer meus limites, ou pelo menos respeitá-los. Gostaria muito de não estar de mau-humor, mas eu quase não consigo evitá-lo, então quando emerge, eu apenas o respeito, sabe? Como uma dessas figuras míticas que ao se transformarem exigem uma certa distância entre si e o resto do mundo? Eu tento. Tento me manter sã, tento me manter só, quando nenhuma companhia, por melhor que seja, parece ideal, nem a minha própria. Naqueles dias em que talvez o suficiente seria um abraço da pessoa amada, ou das pessoas amadas, mas elas por se importarem tanto, às vezes insistem em perguntas que só fazem tudo parecer pior do que é. Relaxa, gente, é só meu monstrinho. É o monstrinho de cada um. É a humanidade, a região de solidão de todos nós. Saber que você caminha a vida toda e aprende tanto, mas nessa vida nunca deixará de ser simplesmente vulnerável às suas próprias emoções, e que por mais sábio que seja e mais auto-conhecimento que possua, será sempre e tão simplesmente humano, sujeito a si próprio, à caminhos desconhecidos exterior e interiormente. Vivendo uma aventura única, de onde não se pode escapar nem pra onde se pode retornar. Os arrependimentos devem ser mínimos, mas serão inevitáveis, eu estarei sempre jogando um jogo cujas regras jamais serão por mim totalmente absorvidas, de vez em quando eu vou errar, eu erro, e insisto, porque este é o caminho de todo mortal, até ser moldado o suficiente pra tornar-se pleno e deixar então de ser matéria, pó, mas encerrar também essa etapa de dualidade turbulenta e constante que chamamos de vida terrena. Que seja doce o caminho, mas não será sempre, haverá dor, haverá sangue, haverão pedras, mas haverá vida, e esperança, e vida outra vez sempre bem-vinda. Que eu ganhe, que nós vençamos, e sejamos melhores e maiores do que nós mesmos.


...

“Não sou para todos. Gosto muito do meu mundinho. Ele é cheio de surpresas, palavras soltas e cores misturadas. Às vezes tem um céu azul, outras tempestade. Lá dentro cabem sonhos de todos os tamanhos. Mas não cabe muita gente. Todas as pessoas que estão dentro dele não estão por acaso. São necessárias.”

(Caio Fernando Abreu)




Quem sou eu

Forte energia, grande sorriso. Engraçada. Inteligente. Coração Bondoso. Cabeça Dura. Simples. Complicada. Maternal. Infantil. Durona. Sensível. Sincera. Autêntica. Determinada. Simpática. Autoritária. Ousada. Uma bagunça organizada. Amiga. Amável. Às vezes insuportável.

"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro."
(Caio Fernando Abreu)

É,

E tô achando bom, tô repetindo que bom, Deus, que sou capaz de estar vivo sem vampirizar ninguém, que bom que sou forte, que bom que suporto, que bom que sou criativo e até me divirto e descubro a gota de mel no meio do fel. Colei aquele “Eu Amo Você” no espelho. É pra mim mesmo.

(Caio Fernando Abreu)