Dizem que nas derrotas e decepções é que surge a verdadeira inspiração. Talvez eu me qualifique nessa condição neste momento... Quando muito se almeja algo, sua vida, seus dias, sua respiração parece só existir para tal fim. Existe, sim, é claro, o êxtase momentâneo de quando lhe acontece algo de bom... Mas esse logo passa, e sua mente, seu coração voltam-se completamente para o seu sonho. Um sonho que você sonhou mesmo antes de saber quem era, sonho que lhe consumiu noites, lhe consumiu pensamentos, um sonho onde você construiu o alicerce da sua vida, este que sempre fora pra você o ponto de partida para todos os seus outros sonhos. E quando esse sonho é frustrado, acontece o que está acontecendo comigo agora. Tudo parece estar branco e preto, é uma dor lancinante, e tanta, que parece impossível aos olhos dos outros sentí-la, a comida não tem sabor, o ar não chega até os pulmões, seu corpo e sua mente te sabotam de forma que a saída é ficar estatelada no chão, sentindo aquele frio da cerâmica por todo corpo, desejando profundamente que alguém ou algo venha lhe trazer esperança outra vez. As outras pessoas insistem em não entender tanto drama... Mas qual é!! Era seu sonho, não o delas. Elas nunca vão saber o que isso significava pra você. Nunca vão saber o quanto você amou esse sonho, o quanto o quis, e o quanto viveu pra ele. Parece o fim, não? Mas infelizmente não é mentira, muito menos exagero, isso é tudo que eu sinto agora. Sei que daqui a uma hora, um dia, um mês, a medida que o tempo passe, toda essa negatividade vai se esvair do meu coração, mente e alma, mas agora não. Agora é impossível não sentir cada segundo da solidão dessa prisão em que o sonho frustrado tranca você, a prisão que mora no âmago do seu ser, de onde ninguém pode te tirar e nem você pode sair sozinho. Você se pergunta diversas e diversas vezes o que deu errado... Por que não? Era uma promessa! Era uma verdade! Por que não, afinal? Infelizmente não há resposta, o que há é o horizonte distante, e daqui a alguns dias, existirá também o sacodir da poeira, o som do seu corpo se colocando de pé outra vez, ainda sentindo-se derrotado, mas não humilhado e muito menos indignado ou frustrado, porque derrotas e decepções não matam, mas sim, ensinam a viver. Logo esse misto de sentimentos se esfria e surge uma vontade nova de correr atrás do mesmo sonho, e você se lembra de que ele vale tão a pena, que não vai se importar de se frustrar tantas outras vezes se tiver certeza que em algum lugar no espaço-tempo ele vai se concretizar... e irá.
• • •
irá?!
(espero...).
dor lancinante.
(...)
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Ana.