Os dias em que eu me perco são os dias em que eu me encontro mais.
Estar devastado no fim das contas pode não ser tão ruim quanto parece. É quando se está devastado que se tem mais inspiração, que se fala e escreve as coisas mais intensas, porque paradoxalmente a dor nos aproxima de tudo aquilo que é mais bonito, nos traz certezas... Ao menos certezas de que não queremos permanecer nesse barco... E certezas de que há coisas pra mudar, o que é afinal uma das leis da vida, estar em constante mudança! - de preferência pra melhor, mas nem sempre é assim - Quando está tudo bom demais, temos que mudar... Quando se está ruim demais - graças a DEUS! - temos que mudar! E é nesse misto de emoções que a medida que você vai amadurecendo você conhece sua essência, uma das únicas coisas em você que não muda - assim como seu cabelo, que se for como o meu também não muda! - Há algum tempo eu descobri na minha essência que não sou uma pessoa muito afim de mudanças, principalmente quando elas são drásticas, sou apegada às coisas e mesmo sabendo que estar devastado é o melhor momento pra dar frutos, eu não gosto de estar devastada. Não gosto de saber todo dia que todas as pessoas que eu amo são as que sempre vão me machucar mais, afinal é delas que gosto mais, elas me decepcionam mais. Sim, sim, eu sei que decepção é só excesso de expectativas, e sim, eu também já entendi que isso não é bom. Eu não ando depositando expectativas a tôa nas pessoas, pelo contrário... Mas eu não tenho como viver ao lado de gente e não me entregar, baixar a guarda, não sei ser uma pessoa distante, tem horas que quero me aquecer e é aí que percebo que é tarde demais, essa pessoa já significa muito pra mim e eu me apeguei. Talvez seja porque ser filho único é uma bosta, ou talvez porque meus pais me mimaram demais, eu cresci assim, facinha facinha de ser devastada porque amo poucos, mas os amo muito! Agora é um daqueles momentos em que eu me pergunto porque sou tão burra assim, ou porque a pessoa que amo o é! Mas nunca terei essas respostas, afinal nenhum de nós é burro, somos somente humanos, diferentes, egoístas - não no sentido mau da coisa, mas no sentido real - Eu deveria então me conformar com meu atual estado de espírito e esperar que passe, ou aproveitar pra escrever o máximo de coisas possíveis, ou comer chocolate até explodir, mas será que se eu dormir quando eu acordar meu coração já vai estar batendo no ritmo certo? E esse bolo da minha garganta já vai ter desaparecido? Meus medos e inseguranças estarão adormecidos? Por certo que não. É de momentos ruins que os futuros bons momentos são feitos, porque se não houvessem momentos tristes e reflexivos jamais daríamos valor aos dias ótimos e simples - juro que estou tentando acreditar nisso enquanto escrevo - Basta já. Estar perdida dentro de mim já é suficientemente ruim, não preciso me estender dissecando o tema.
Boa sorte pra mim, espero não estar tão "inspirada" quando voltar aqui.
Anamaria
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Ana.