"Lugar comum". Não sei qual idéia surge nas mentes das pessoas quando ouvem estas duas palavras, mas na minha, pelo menos, ocorre um turbilhão. Lugar comum no começo me causa pavor, me faz pensar que é lugar onde se está estagnado no meio de pessoas, estacionado, onde se é apenas mais um, mais nada, onde não se dá por falta, onde a existência representa conformidade. Num segundo momento penso que lugar comum é o meu lugar, o lugar comum de todos dias onde eu acordo, como, existo, durmo, acordo... É o lugar da minha rotina... De onde estou sempre querendo fugir -Esse paradoxo que me consome não se estabiliza se não se adequa a uma rotina, mas passa cada segundo dela planejando uma rota de fuga. Então, lugar comum passa a ser pra mim o que nos tornamos, o que me tornei, o que me torno. Vivo falando do diferente, cheia de teorias sobre originalidade, mas não consigo vestir uma roupa sem ligar pra uma amiga pra ter certeza de que não vou causar estranhamento geral na nação. É difícil ser quem você é, o que você é, por isso gosto de pessoas diferentes, aquelas que são o que são, vestem o que vestem, falam o que falam e alimentam suas teorias de bons argumentos, porque eu sou uma delas, mas meio que aborto o processo todo dia quando deixo que a sociedade prossiga ditando conceitos sobre meu pensar. Eu sou livre, minha existência transgride a razão, sou feita por Deus e para Deus, minhas limitações não são aquelas que um bando de homens e mulheres se preocupam em ditar na mídia, a roupa que mais gosto não necessariamente tem que estar em sincronia com o estilo de música que mais toca meu coração, sou humana, sou contradição, não sou objeto de convicção e sim de indagação, minha alma é enorme e preenchida pelos mais diversos caminhos. Não sou comum. Ninguém o é, a menos que queira. Não há necessidade de se levantarem bandeiras com teorias excludentes sobre o que está certo e errado, se concorda, aceita, se não concorda, releva. Perdi alguns momentos da minha vida criticando e pensando sobre como a humanidade é conformada, sobre como simplesmente não queremos ir além do que já foi conquistado... e alguns poucos que conseguem tal proeza, muitas vezes pelo radicalismo com que se é feito acabam se perdendo de si mesmos. Parei de querer pensar porque as pessoas gostam de se situar na sua pequenez e não dar vazão a alma, quando percebi que não importa o quanto eu constate a verdade, eu sou uma delas e ainda estou no lugar comum, onde todos estão, estacionados, parados, conformados, desinteressados. E a canção que escuto no interior da minha mente todos os dias não são sons de passarinhos, mas o grito do desconhecido clamando minha alma por um algo a mais... e eu fui.
Anamaria Fonsêca
06/08/2010
06/08/2010
