Ana.

Quem tem fraqueza sabe ser bem mais forte.


Queria escrever sobre política, mas são 05:29 da manhã e estou com insônia desde às 3:00. Estou um caco, mas as idéias continuam a brotar e surgir...
Queria ser menos ansiosa. Fico impressionada com o fato de ter tido tão poucas noites de insônia em tantos anos de vida sendo assim. Quero tudo, quero agora, quero fazer, quero viver, sonhar, sem perder possibilidades, errando, voltando atrás, fazendo pausas, sentindo preguiça, mas ansiando mesmo assim, sempre sem parar. Ai, como eu queria um céu bem azul, uma brisa suave, mar, uma rede, os braços do abraço do meu amor ao redor de mim, meus pais ao alcance da vista, gente boa, gente bonita de coração... Uma intervençãozinha no tempo-espaço pra parar e estar mais perto, bem mais perto de Deus.

Deus sabia que não seria fácil pra nós encontrá-lo, mesmo com Ele dentro dos nossos corações a todo tempo. Deus sabia que não seria fácil pra mim ser um jovem de 20 anos em 2010 com esse mundo virado de cabeça pra baixo, com tantos conceitos e preconceitos, tendo que me calar tantas vezes, vítima de uma tão superficial liberdade de expressão, que ilude a gente pra não dar vazão à realidade fática. Sem acesso ao profundo do cotidiano, da sociedade, da vida. Conduzida pela mídia e pelas opiniões dos que mais se destacam, tendo sempre que possuir num referencial... O meu pensar não pode ser meu referencial? O meu ser não pode ser minha bússola? Não preciso pisar em pegadas de homens pra ser o que sou, o conhecimento me acrescenta, não me talha. Exupery disse que não é a inteligência que conduz o mundo, mas sim o Espírito... Não sei o que era isto pra Ele, mas Espírito eu tenho de sobra. Por sinal, bem cansado ultimamente. Se o Espírito conduz o mundo, eu deveria ser capaz de conduzir a mim mesma não? De aprender e ter acesso ao conhecimento puro, aos múltiplos paradigmas sem ter que me associar a eles, reter o que é bom para formar os meus próprios. Mas a educação "luta" hoje pra formar pensadores... de meia tigela. Não, é tarde, minha geração é de copycats, é de reprodução, é superficial e eu tô perdida. Obediência hoje não é sinal de respeito, é apenas um conceito, e obedecer é cada vez menos necessário. As regras sempre existiram pra domar os impulsos e conceder equilíbrio e sabedoria, mas se quer cada vez menos obedecer, e regras são meios de podar, de censura, sem sentido, sem nexo, o poder é mal utilizado, mal conduzido e bastante mal amado. Não é isto que quero pra mim. Amo a justiça, adoro regras, acho que tudo isto teoricamente colabora, ensina, conduz à liberdade plena, contribui pra a construção do ser, do caráter, do pensar e do agir, mas na prática é tanta gente querendo mandar, tanta, mas TANTA mesmo, informação, e eu não concordo, eu discordo, mas nem pra ser rebelde dá mais. Neste estado de espírito, todo mundo fala o que quer, mas falta mão de obra, falta algo mais, falta revolução que é a união do pensar e agir. Eu sou só, desconhecida de muitos e muitas vezes até de mim mesma. Sou só, numa cidade interiorana com minhas idéias sobre política, sobre sociedade, sobre mais, sobre vida, sobre como tudo passa, como a vida é ínfima, como ela acaba... e sobre a eternidade. A eternidade do instante, a eternidade do momento, e a construção diária da eternidade. Queria gritar mais alto, mas as vezes nem eu me ouço. Queria conhecer mais, ler mais, sentir mais, mas é tudo rápido, pronto, mastigado, excessivo. Falta dose, falta preparo. Eu quero ir além e às vezes temo, pois não sei como seria. Perco o fôlego muito rápido, sinto falta de ar e me canso... Tenho medo de ter que ir a pé e ainda só, pois tenho muitos sonhos e a bagagem é pesada. Tenho medo de ser incompreendida, pois às vezes me atrapalho quando falo, sou melhor com a escrita, mas eu queria, como eu queria, agir, obter a minha parcela de mudança no meu tempo, não desperdiçar a vida, nem os sonhos, nem o momento... E eu tento, todos os dias, alguns menos, outro mais, mas sei que ainda é pouco, preciso de gás, falta motivação muitas vezes, é o comodismo do meu tempo tentando me amarrar na cadeira, prender meus pés, minhas mãos, mas não meu sentimento, este é impossível de reter, e me acorda às 3:00 da manhã só pra dizer: "Vai, Ana, eu vou te conduzir, me deixa viver."



Anamaria Fonsêca

10.08.2010


...

“Não sou para todos. Gosto muito do meu mundinho. Ele é cheio de surpresas, palavras soltas e cores misturadas. Às vezes tem um céu azul, outras tempestade. Lá dentro cabem sonhos de todos os tamanhos. Mas não cabe muita gente. Todas as pessoas que estão dentro dele não estão por acaso. São necessárias.”

(Caio Fernando Abreu)




Quem sou eu

Forte energia, grande sorriso. Engraçada. Inteligente. Coração Bondoso. Cabeça Dura. Simples. Complicada. Maternal. Infantil. Durona. Sensível. Sincera. Autêntica. Determinada. Simpática. Autoritária. Ousada. Uma bagunça organizada. Amiga. Amável. Às vezes insuportável.

"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro."
(Caio Fernando Abreu)

É,

E tô achando bom, tô repetindo que bom, Deus, que sou capaz de estar vivo sem vampirizar ninguém, que bom que sou forte, que bom que suporto, que bom que sou criativo e até me divirto e descubro a gota de mel no meio do fel. Colei aquele “Eu Amo Você” no espelho. É pra mim mesmo.

(Caio Fernando Abreu)